Unificação Isha Judd
A culpa parece assumir responsabilidade, mas não repara: sustenta. Enquanto você se culpa, o vínculo que você queria cuidar continua esperando algo que não chega.
Las Emociones · 6 min de leitura

Por que a culpa não repara nada

A culpa parece assumir responsabilidade, mas não repara: sustenta. Enquanto você se culpa, o vínculo que você queria cuidar continua esperando algo que não chega.

Isha Judd

A culpa não repara nada porque não está olhando para o outro: está olhando para você. Parece muito com assumir responsabilidade, e por isso custa soltá-la. Mas assumir responsabilidade termina numa ação, e a culpa termina numa noite repassando com quem você falhou.

Sentir que você está falhando com alguém o tempo todo também não é um traço seu. “Nos ensinaram a julgar, nos ensinaram a nos sentir culpados”, diz Isha. É uma leitura aprendida, e funciona sozinha, mesmo quando ninguém está te cobrando nada.

A culpa se disfarça de responsabilidade, e elas fazem coisas diferentes

A responsabilidade olha para frente: o que eu faço, o que eu digo, o que eu reparo. A culpa olha para dentro e fica ali, revisando a mesma coisa repetidas vezes. Isha descreve para onde leva esse movimento: “Cada vez que você é culpado quer receber atenção, quer que alguém te salve, e você é que tem que se salvar.” Por isso a culpa costuma terminar pedindo consolo justamente na conversa em que você ia reparar algo.

Aí está a diferença prática, e ela se nota no outro. Um pedido de desculpas feito a partir da responsabilidade deixa o outro mais leve. Um feito a partir da culpa o deixa te consolando. Enquanto isso, o que de verdade repararia continua sem acontecer, e a dívida se renova sozinha no dia seguinte.

Embaixo da culpa há um julgamento, e esse julgamento se distribui

Isha aponta algo que quase nunca se conecta: “Se você julga qualquer coisa, você está julgando a si mesmo.” A culpa é um julgamento em relação a você que depois sai para fora, em forma de exigência, de cobrança ou de tom cortante. Por isso quem vive com culpa permanente costuma ser também quem mais se irrita com os outros, embora na superfície pareçam coisas opostas.

A saída dela não é negar o que você fez. É tirar isso do terreno moral e colocá-lo no do aprendizado: “Todos nós fizemos coisas que percebemos como erros, mas usamos essas situações para evoluir, para mudar.” E ela vai ainda mais longe, com uma frase difícil de aceitar da primeira vez: “Na verdade você nunca fez nada errado.” Ela não diz que não há consequências. Diz que nenhuma consequência melhora porque você ainda carregue uma dívida que ninguém está cobrando.

Sinais de que a culpa está governando

  • Você se deita repassando com quem falhou naquele dia.

  • Você pede desculpas por coisas que não fez, quase por reflexo.

  • Quando você diz não, passa os dias seguintes compensando.

  • É difícil aproveitar algo seu se alguém próximo não está bem.

  • Depois de se desculpar você precisa que te digam que não tem problema, várias vezes.

Uma cena que talvez você reconheça

Você cancela um plano porque estava esgotada. A outra pessoa responde que não tem problema e aí começa a parte longa: a mensagem explicando demais, a oferta de remarcar o quanto antes, a checagem de se ela realmente não ficou chateada, e a sensação de dívida durante a semana inteira.

O plano cancelado já foi resolvido na primeira mensagem. O que vem depois não repara nada, porque não havia nada quebrado. O que faz é transferir o desconforto ao outro, que agora tem que se ocupar de te tranquilizar. Ali se vê, com bastante clareza, para onde a culpa estava olhando.

A prática: passar da culpa para algo que de fato repare

  1. 1

    Você para alguns minutos e leva a atenção da cabeça ao coração, que é onde não há tribunal.

  2. 2

    Você separa as duas perguntas: o que eu posso fazer ou dizer, e o que eu estou dizendo sobre mim. A primeira repara, a segunda só pesa.

  3. 3

    Se houver algo para reparar, você o faz em poucas palavras e sem pedir consolo em troca.

  4. 4

    Quando aparecer o pedido de desculpas automático, talvez você possa deixá-lo passar e ver o que fica quando você não o diz.

  5. 5

    Você nota o julgamento em relação aos outros que aparece nos dias de mais culpa. Costumam viajar juntos, e ver isso afrouxa os dois.

Quando você não tem julgamentos com você mesma, você não vai ter julgamentos com mais ninguém.

Isha Judd

FAQ

Perguntas frequentes

  • Porque a culpa não precisa de um fato para se ativar: ela se ativa sozinha quando foi a leitura que você aprendeu. Isha diz sem enfeitar, que nos ensinaram a julgar e nos ensinaram a nos sentir culpados. Por isso ela aparece mesmo quando ninguém está te cobrando nada, e por isso qualquer situação serve de desculpa, de uma mensagem não respondida a um plano cancelado com motivo. O sinal para reconhecer é a desproporção: a culpa dura muito mais do que o fato que a disparou, e não se apaga com explicações. Quando isso se vê, deixa de parecer uma dívida real e começa a poder ser olhado.

#culpa#julgamento#emoções#perdão#amor-próprio

Para aprofundar

Leve isto para a sua prática.

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