No começo, nós procuramos respostas. Vivemos na ilusão. Fazemos o que a sociedade fala para fazer, ou então nos rebelamos e fazemos o oposto. Criamos famílias e empresas, mas não importa o que fazermos, mesmo assim sentimos que tem alguma coisa faltando. Para algumas pessoas isso se manifesta como um grito ensurdecedor, para outros, um mal-estar subjacente. Mas o sentimento é o mesmo: deve ter algo mais. O coração anseia por algo maior.

Hoje em dia, a vida passa cada vez mais rápido. Assim como vai acelerando a capacidade de comunicação e consumo, a mesma coisa acontece com a busca coletiva da humanidade. Uma avalanche de entretenimento, publicidade e distrações vêm tão rápida e furiosamente que temos de soltar as expectativas de encontrar conforto ali. Precisamos ir para dentro e encontrar o que realmente estamos procurando: a experiência do amor-consciência, a energia ilimitada que nos conecta em união.

Precisamos nos transformar em criadores e assumir a responsabilidade pelas nossas vidas em vez de culpar sempre o exterior. A maneira de fazer isso é sanando para voltarmos à nossa verdadeira natureza: o vazio que vibra em amor. Em cada momento é possível se reinventar e escolher quem queremos realmente ser. Essa é a coisa mais maravilhosa de ser humano: ter a possibilidade de se transformar. Uma transformação para ser mais amor, mais liberdade, soltar os limites para começar a viver no momento, para começar novos hábitos que não trazem sofrimento.

Muitos de nós aspiramos amor incondicional, sabendo que é o jeito ideal para viver, tentando imitá-lo. Ai montamos um ato com certas condutas que pensamos que são amorosas. Mas como podemos realmente amar os outros, se não podemos nos amar? Como podemos abraçar os outros, se não aceitamos quem somos?

Para ser amor puro, tem que ser amor puro. Se você tenta copiar o amor dos outros, isso não é nada além de um truque da mente.

Criamos situações quando colocamos a felicidade dos outros antes da nossa, quando tentamos amar os outros sem saber amar a nós mesmos. E ai concedemos criando ressentimentos, ou seja, o contrario do que aspiramos a ser.

Como fazer para se transformar num ser incondicionalmente amoroso? Abraçando a perfeição em cada momento. Aceitando que não há nada de errado com quem somos, e que somos perfeitos exatamente como estamos sendo. Somos perfeitamente humanos.

Quando você se ama incondicionalmente, começa a amar os outros também, incondicionalmente. Isso acontece quando encontramos a perfeição dentro de nós mesmos, graças à luz do amor incondicional, e começamos a ver a perfeição em tudo.

Qual é o significado de se amar? Significa sermos verdadeiros e aceitarmos cada aspecto de nós mesmos. A nossa experiência é uma experiência humana, dentro de um corpo humano. Não somos santos, somos humanos. Ficamos bravos, nos sentimos tristes, amamos, somos egoístas, somos generosos. Somos tudo. Mentimos, escondemos…

Todo mundo tem alguma coisa que não gosta de si mesmo. Todo mundo tem segredos, coisas que pensa que fez errado. Essas coisas são resultado do próprio abandono. Porém, é preciso aprender a amar esses aspectos para sentir amor a si mesmo. E só significa que é preciso aceitar o fato de que certas coisas feitas foram baseadas no medo, e só foram hábitos, reações inconscientes. Ou seja, podemos começar a perceber que nunca houve nada de errado, foram só cores formando parte da paisagem da experiência humana. São o trampolim de onde a verdade de quem somos começa a saltar.

Você pode me acompanhar na terceira parte do filme “Por que Caminhar se Você Pode Voar?” para aprender a terceira faceta:

A terceira faceta fala:

Amor me cria em minha perfeição.

Vamos praticar esta faceta durante 20 minutos da seguinte maneira:

1. Sente-se confortavelmente e feche os olhos. Permita que qualquer pensamento que venha na sua mente passe suavemente. Não tente pará-los, não tente entrar num estado de não-mente. Ao invés disso, deixe vir naturalmente o que quer que seja.
2. Agora pense: Amor me cria em minha perfeição. Pense sem fazer esforço algum, como se este fosse um pensamento como outro qualquer, sem se concentrar nem tentar entender o seu significado.
3. Enquanto você pensa a faceta, coloque a atenção na área do seu coração.
4. Depois de ter pensado a faceta, deixe um espaço e faça uma pausa. E ai repita a faceta, colocando a atenção no coração e novamente deixando um espaço.
5. Continue assim durante vinte minutos. Pode dar uma olhada no relógio para controlar o tempo.

Não pense a faceta repetidamente, sem interrupção, como se fosse um mantra. Sempre deixe um espaço de uns segundos entre cada repetição. É possível experimentar paz e silêncio nessas pausas, porém também é possível que venham pensamentos. Às vezes pode acontecer de você esquecer a faceta, mudar as palavras ou o ponto de atenção. Se isso acontecer, assim que perceber, pense novamente a faceta como foi explicado acima. Tudo que acontece naturalmente durante a prática é perfeitamente normal. Apenas lembre-se: quando perceber que não está pensando a faceta, escolha pensá-la novamente. Agora vamos fechar os olhos e praticar por 20 minutos.

Quando terminar…

Agora que já tem três facetas, use-as pela mesma quantidade de tempo cada uma na hora de meditar com os olhos fechados. Por exemplo, se for meditar meia hora, use dez minutos cada faceta, em ordem. Pode olhar no relógio para controlar o tempo.

Quando usar as facetas com olhos abertos, pode usar qualquer uma delas, a primeira que vier na cabeça.

Foco do dia: Abraçando nossas emoções

As emoções são uma parte natural da vida humana. Se queremos uma boa relação com nós mesmos, é importante aprender a aceitá-las. Não as aceitamos porque desde crianças aprendemos que certas emoções são ruins – por exemplo quando falavam para não chorarmos ou não ficarmos bravos.

Se negamos os sentimentos, não liberamos eles. Se ignoramos as emoções, elas ficam guardadas dentro, acumulando uma carga de sentimentos reprimidos, aí o tempo passa e elas se transfiguram: a raiva vira ódio ou ressentimento com violência; a tristeza vira depressão.

Às vezes, quando estamos no caminho espiritual, fazemos a mesma coisa que fazíamos quando estávamos crescendo: mostramos uma imagem de criança boa, vinda da expectativa que nossos pais e a sociedade tinham.

A busca do amor incondicional torna-se uma maneira de comportamento: tentamos reproduzir as ações do amor e da compaixão, sem realmente sermos isso. Eventualmente isso traz mais ressentimento e frustração, pois vemos os outros perfeitos, mas não reconhecemos nossa própria perfeição. Como você pode ser compassivo se você não se conhece? Nessa tentativa de nos libertar dos limites do passado, pulamos de uma caixa para outra, e ela às vezes é até mais rígida do que a anterior.

Para experimentar nossa divindade, primeiro temos que abraçar a nossa humanidade. Para amar incondicionalmente, precisamos antes descobrir a nossa própria perfeição. Abrace a sua raiva, abrace a sua tristeza. Não é negando que irá libertar-se deles, mas sim através da aceitação. Permitindo-se sentir a carga acumulada das emoções é que se libera espaço no interior. Espaço para ser, espaço para amar, espaço para descobrir o que você realmente é.

Contemplação:

Tem algum relacionamento na sua vida onde tenha reprimido seus sentimentos, em vez de expressar o que sente? Se for assim, considere a possibilidade de ter uma conversa de coração com essa pessoa, e contar as coisas que têm lhe incomodado. Fale de um lugar compassivo e amoroso, aberto. Ouça a resposta. Observe o jeito como está se sentindo, e sentindo esse relacionamento. Talvez o relacionamento se torne mais forte e amoroso, e se não, você vai descobrir que possivelmente está na hora de terminá-lo. De qualquer forma, provavelmente terá um sentimento de alivio depois de transmitir as emoções reprimidas.

Desenvolva uma relação amorosa com você mesmo. Durante a maior parte das nossas vidas nos abandonamos por tentarmos ficar fazendo aquilo que os outros querem: os nossos pais, nosso(a) parceiros(as), a sociedade… para sermos aceitos e amados. Mas agora estamos fazendo uma nova escolha, uma opção superior para começarmos a nos amar incondicionalmente assim como somos.

Ouça a si mesmo. Não se preocupe com o que esperam de você lá fora. Ouça a voz de seu próprio coração: isto irá tornar mais fácil poder falar a sua verdade e ignorar a necessidade de aprovação externa.

Até a próxima!